A Casa Das Belas Adormecidas, Yasunari Kawabata

 Bom dia, pessoas! (^(エ)^) Hoje tem resenha literária, um livro bem controverso e que ganhou um Nobel em literatura. 

Informações:
Título:                       A Casa das Belas Adormecidas
Gênero:                     Romance, Memórias
Editora:                    Estação da Liberdade
Ano:                          2004
Páginas:                    128
Autora:                     Yasunari Kawabata
Sinopse: Imbuída de um erotismo inusitado, esta obra, escrita em 1961, demonstra a maturidade estilística do autor, que se utiliza sua virtuose descritiva para contar a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que freqüenta a "casa das belas adormecidas", uma espécie de bordel onde moças encontram-se em sono profundo, sob efeito de narcóticos. Apesar da idade avançada, o protagonista parte em busca dos prazeres perdidos e se depara com moças virgens, que os visitantes podem tocar, mas são proibidos de corromper. Daí derivam passagens antológicas de rememorações pessoais e fantasia. Kawabata procura desvendar o enigmático universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável, investigando as dores da solidão a partir da sutileza de um erotismo expressivo, constantemente atravessado por passagens de fina ironia e perturbadora consciência da passagem do tempo, do vazio existencial que permeia as relações humanas.

Eguchi é um idoso de 67 anos, com filhos já adultos, e extremamente solitário com as memórias perdidas de sua juventude. Por um amigo, ele toma conhecimento de "a casa das belas adormecidas", uma espécie de bordel.
Este lugar, no entanto, não é propriamente de fim sexual. Lá, as garotas jovens, todas virgens, são dopadas para dormir um sono profundo de horas, enquanto homens que se sentem solitários se deitam ao seu lado, proibidos de corrompê-las. 
Eguchi decide, então, experimentar o lugar, indo se hospedar lá em uma noite. Incia-se, então, narrado de forma detalhada e poética, a experiência deste personagem que, curiosamente, desencadeia muitas memórias amorosas de sua juventude.
Não me lembro bem como eu havia conhecido este livro mas, desde o primeiro momento, me interessei pelo enredo, no mínimo, intrigante. 
— Aos velhos, a morte, aos jovens, o amor; a morte, uma única vez, o
amor, infinitas vezes.
É um pouco triste, admito, haver esta casa para as pessoas solitárias. Na verdade, o livro todo é bem melancólico e traz reflexões simples sobre a morte, o amor, a juventude. O autor banalizou estes assuntos de tal forma, que é difícil não continuarmos acompanhando a leitura e não passarmos a vê-los como apenas mais algo que passaremos em nossas vidas, e nada mais.
Yasunari Kawabata tem um estilo envolvente de narrar, onde ele mistura todos os sentidos de uma forma poética, que, mesmo que haja descrições excessivas e haja momentos em que não acontece nada na estória, ainda sentimos vontade de ler, ainda nos sentimos dentro daquele mundo.
Li muitas resenhas na página do Skoob, depois que li o livro, que negativaram um ponto: as belas adormecidas. Muita gente estava indignada sobre elas estarem lá, dormindo drogadas, servindo de companhia para os velhos homens, sendo tratadas como um objeto.
Mas eu não penso assim, para falar a verdade. De fato elas são sim praticamente objetos humanos, mas aquele era, por mais horrível que nos pareça, o trabalho delas. Elas estavam lá por escolha (ou talvez por necessidade, ninguém sabe), ganhavam para isso. Além disso, isso não é muito diferente da prostituição, que ocorre em nossa realidade, certo?
É um livro curto, mas carregado de reflexões e dos variados sentimentos. Cada lembrança do personagem origina uma mini-estória, te levando em uma viagem às memórias de Eguchi. 
Gostei muito de A Casa das Belas Adormecidas e recomendo para todos que procuram uma leitura poética, reflexiva, que aborda assuntos profundos, e que deve ser feita com a mente aberta. 

Avaliação:
★ ★ ★ ★ ★