O Preconceito Com Livros Nacionais

Bom dia, leitores! (。 ◠‿◠。) Não sei vocês, mas eu vejo muito preconceito literário sobre os autores nacionais. Muita gente prefere mil vezes antes comprar um livro escrito "Autora Bestseller do The New York Times" que de um autor do interior do país, por exemplo.
Acho que isso acontece porque sempre temos aquele pensamento primitivo de que os nacionais são aqueles livros entediantes de 1800 e alguma coisa que nos obrigam a ler na escola, que falam de política, os aborígenes, patriotismo e outras coisas que, muitas vezes, nos faz querer dormir pela forma que é contado. Ás vezes pode acontecer de nos esquecermos que há literatura nacional contemporânea, com vários gêneros interessantes como policial, fantasia, romance, etc.

Não vou negar; minha autora favorita atualmente é estrangeira, mas isso não significa que eu não tenha nacionais nos favoritos e me entristece muitos deles serem desconhecidos. Uma das causas é o fato de que as pessoas tendem a valorizar demais o que vem do exterior.
Podemos ter como exemplo a cultura em geral; música, filmes, e livros. "Afinal, para um livro ser publicado aqui, tantas terras depois de onde o autor vive, tem que ser muito bom" é um pensamento comum.
Com isso, as pessoas acabam pensando que o que está aqui e não é tão mencionado pela mídia, não é bom. Ou, quando se interessam pelos autores nacionais, muitas vezes são aqueles que ganham muito destaque como Paulo Coelho e Paula Pimenta. Mais uma vez com o pensamento primitivo, porém desta vez de "se este autor brasileiro faz sucesso no exterior é porque é bom mesmo".
Então as pessoas acabam, se lendo os nacionais, preferindo aqueles de autores mais famosos e desperdiçando muitas chances de conhecer estórias boas. Não que os autores famosos não sejam bons, eu adoro a Paula, mas ficar apenas ali, no que faz sucesso, não é saudável para quem quer conhecer muitas estórias.
E, devido a esta "falta" de público, os livros nacionais acabam ficando com preços maiores que os estrangeiros, uma vez que muitos publicam por editoras pequenas. Quando há promoções de livros, além disso, não é rotineiro vermos títulos baratos de Nicholas Sparks, e outros autores famosos? Enquanto isso, os descontos de 80% não chegam em livros nacionais, quando a promoção não vale para todo o site. Resultado: enchemos nosso carrinho com livros estrangeiros tão baratinhos e os nacionais ficam para a próxima vez.
Isso acontece não só com os livros físicos, mas podemos perceber que, muitas vezes, os e-books estão com o preço similar a de livros físicos estrangeiros. Não é todo mundo que aceita pagar, na realidade, R$19,90 por um e-book quando você pode pegar este dinheiro e comprar um livro físico, mesmo que de um autor do exterior. Para quem prefere os livros físicos, como eu, a questão tem resposta óbvia, infelizmente.
Mas algo que venho percebendo com frequência é que alguns autores nacionais quererem tanto ser valorizados, mas, muitas vezes, usam elementos estrangeiros demais em suas estórias. Por exemplo um nome nada comum no Brasil para um protagonista, ou quando a estória se passa em terras norte americanas. Não dá para contar nos dedos a quantidade de livros que já vi por aí com personagens que foram viajar para os EUA, ou onde a própria estória se passa fora do Brasil.
Tudo bem que eu não sou a pessoa mais patriota do mundo, se eu pudesse morar em algum país mais cool, eu iria *já que eu gosto de frio e música internacional*, mas eu acho isso realmente chato, que contribui para essa mania de gostar só do que é internacional.
Não que eu espere personagens como Policarpo Quaresma, mas algo que nos identifiquemos, que saibamos que a estória se passa aqui, onde vivemos, que valorize. Algo que nos aproxime de nossa realidade, que mostre que o Brasil também tem coisas boas e que revele, também, que os autores nacionais podem ser originais. Que faça com que os leitores saibam que os autores nacionais estão no mesmo nível que os estrangeiros, não que passe a impressão de estar querendo imitá-los.
Sim, estão no mesmo nível. Eu já li muitos nacionais ruins, não vou negar, mas também já li livros estrangeiros que foi tempo perdido. Já li estórias de autores nacionais que deram de 10 em muitos bestsellers americanos, assim como já li autores estrangeiros que criaram estórias maravilhosas.
Claro que, sobre usar nomes americanizados e estórias que se passam em outras terras não é sempre mal, não tenho nada contra quem gosta de expandir sua estória para outro país. Me refiro àqueles livros mais do mesmo, que usam a mesma fórmula de livros estrangeiros na esperança de conseguir o mesmo sucesso, esses sim acabam saturando os leitores; ninguém quer ler uma cópia.
Afinal, que graça tem ler um livro nacional que se passa em uma escola de nome inglês, com baile de homecoming, rainha do baile, e tudo aquilo? São elementos americanos demais, eu acabo me esquecendo que estou lendo um nacional. Ainda mais livros jovens, onde o leitor adolescente sempre fica com aquela vontadezinha de passar por algo parecido à estória, em sua vida. Como sonhar com algo que nem se tem no próprio país? Esperar viajar para os EUA para viver algo assim?
Acho que o que falta, principalmente, é investimento e divulgação dos nossos autores, que têm tão poucas oportunidades de publicação. Por um lado, uma editora não investe em livros que não sejam estrangeiros e mercados com boa expectativa de vendas. Por outro, os autores precisam desembolsar grandes quantias para ter sua obra publicada, ou procurar editoras pequenas, algumas que muitas vezes pecam no quesito divulgação.
E precisa haver, em minha opinião, mais interesse dos leitores. Gostaria que as pessoas dessem mais chance aos livros nacionais, que procurem algum, pois podem acabar amando. Mas é importante que os autores busquem escrever por amor, não copiar o estrangeiro, desde que não queira realmente escrever uma estória assim. Do contrário, que não reclamem da falta de valorização do livro nacional se eles mesmos não valorizam o lugar onde moram.

#Livros

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