Paperboy, Pete Dexter

Olá, pessoas! ʕ≧ᴥ≦ʔ Hoje venho comentar sobre este livro que li há pouco tempo, que estava em minha meta de leitura de 2015.

Informações:
Título:                        Paperboy
Gênero:                      Romance, Drama
Editora:                     Novo Conceito
Ano:                           2013
Páginas:                     336
Autor:                        Pete Dexter
Sinopse: Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pela sentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam se casar. Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James. As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico. No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes. Best-seller do The New York Times, Paperboy é um romance gótico sobre a vida aparentemente sossegada das cidades do interior. Um thriller tenso até a última linha, que fala de corrupção e violência, mas que, ao mesmo tempo, promove uma lição de ética.

No condado de Moat, Flórida, um acontecimento perturbou a paz dos moradores: o xerife Thurmond Call foi encontrado morto, em uma estrada deserta. O homem tinha um grande histórico de assassinatos de negros, que ninguém nunca questionou, e de um branco, Jerome Van Wetter, nos últimos dias antes de sua morte. Por causa disso, o primeiro suspeito para o crime é Hillary Van Wetter, primo de Jerome, que tem também um histórico de violência e pode ter querido vingar a morte do parente.
Hillary é preso e condenado à cadeira elétrica, mesmo que as evidências não sejam concretas. Todos acreditam que ele é o culpado, e ninguém se importa realmente com este homem, membro de uma família grande e cheia de peculiaridades.
De alguma maneira, contar uma história verídica faz com que você volte a vivê-la. 
O caso está encerrado mas quando Charlotte Bless, uma mulher madura e atraente, chega ao escritório dos jornalistas investigativos Ward James e Yardley Acheman, procurando ajuda para provar a inocência de Hillary, inicia-se uma investigação perigosa pela procura da verdade, quatro anos após a apuração.
Apesar de o filme ter ganhado muito prestígio e sido indicado à Palma de Ouro em Cannes, admito que não conhecia Paperboy antes de o livro chegar às minhas mãos. Nunca havia lido uma resenha sequer; apesar de ter ficado intimidada no começo por ser um livro bem grosso aparentemente, me interessei logo por se tratar de um romance investigativo e, segundo a proposta, trazer uma reflexão e lição de ética.
Me surpreendi, quando comecei a leitura, ao constar que o protagonista não é Hillary, nem Charlotte, nem os jornalistas, e sim Jack, irmão mais novo de Ward e que se encontra atualmente perdido em si mesmo. Ele é o narrador desta história e participante das investigações, primeiro apenas servindo o irmão e seu parceiro, depois ajudando muito na resolução dos mistérios.
O início é um pouco lento, pois o personagem conta bastante de sua vida, de sua família e sobre a família Van Wetter e o caso do xerife. Entre as informações que interessam ao leitor sobre o mistério, Jack insere muitas histórias aleatórias e memórias. Isso pode desanimar um pouco, para quem não gosta de perder o foco, mas gostei de certa forma; permitiu conhecer bem o personagem, e fez-o bem construído, como se fosse realmente uma pessoa contando sua história. Além disso, a narrativa em terceira pessoa flui muito bem.
É impossível saber quem uma pessoa é, exatamente.
A estória ganha ritmo de verdade com a chegada de Charlotte, onde todo o mistério se inicia. Todos os personagens são bem peculiares e bem construídos, e ela se tornou uma personagem intrigante e polêmcia. Gostaria que tivesse sido mais explorada. Os outros personagens principais são Jack, que representa todo o drama e incerteza de uma pessoa jovem e "perdida", Ward, um exemplo de pessoa de forte, que nunca desiste, e Yardley, por sua vez um exemplo de mau-caráter. Dentre os três, Ward foi meu favorito, um personagem muito misterioso, inteligente, e que me fez perguntar-me muitas vezes o que se passava em sua cabeça. O que contribui para os personagens serem tão bem construídos é o fato de cada um ter seus erros, medos, vergonhas. Acredito que isso aproxima-os bastante do leitor.
Preciso ressaltar que a sinopse contém um erro; nos leva a acreditar que Jack se separá da dupla Ward e Yadley, investigando o caso de Hillary por conta própria, mas não acontece isso. Ele apenas observa, juntando as peças com seu irmão, e ajudando-o em suas procuras, mas nunca agindo sozinho.
Gostei muito da relação dos dois, que é mostrada de forma muito profunda. É interessante como Jack cuivada do irmão, mesmo ele sendo mais velho. Questões familiares são muito envolvidas a todo momento.
Paperboy mostra, também, bastante do mundo jornalístico. Eu tenho bastante interesse na área e foi bom acompanhar, saber mais sobre o trabalho e todas as competições existentes.
É desconfortável mentir para alguém a respeito de coisas quando vocês dois sabem qual é a verdade.
O caso de Hillary é o que mantém o leitor preso durante todas as 333 páginas mas, quando acabei Paperboy e fiquei insatisfeita com a resolução do caso, percebi que se tratava apenas de um exemplo. O real propósito do livro é levar-nos a questionar, a refletir sobre o que é ser um "homem intacto", um homem íntegro, e a conclusão, logo mostrada na capa, de que estes não hesistem. Durante todo o livro, se você reparar, perceberá a presença de personagens errados desde o começo, mesmo que aparentam ser de boa índole.
Isso me decepcionou um pouco, porque eu esperava que o caso se resolvesse com uma reviravolta bem surpreendente, mas foi muito bom refletir sobre isso. Afinal, cada um leva em si um pouco da corrupção que tanto reclamamos no mundo e tudo que passamos ao longo de nossa vida nos deixa marcas de alguma forma, ninguém está intacto.

Avaliação:
★ ★ ★ ★ ☆

Este livro ganhou uma adaptação cinematográfica em 2012, intitulada Obsessão, estrelando Zac Efron, Matthew McConaughey e Nicole Kidman e que resultou na mudança da capa do livro. Eu gostei bastante do livro, mas não  me sinto interessada em assistir ao filme, por enquanto. Pelos comentários que li, no Filmow, as chances de quem leu o livro gostar do filme são baixas, pois houveram grandes mudanças segundo os comentaristas. Confira o trailer aqui.