Lugares Escuros, Gillian Flynn

Olá, pessoal! ʕ ง•ᴥ•ʔ ง Venho contar hoje o que achei da leitura de mais um livro da Gillian Flynn, este sendo a obra que inspirou a adaptação de mesmo nome. O filme não havia sido uma boa experiência, então estava muito curiosa para saber se o original seria melhor.

Informações:
Título:                       Lugares Escuros
Gênero:                     Ficção, Suspense e Mistério
Editora:                    Bertrand
Ano:                          2013
Páginas:                    416
Autora:                     Gillian Flynn 
Sinopse: Libby tinha sete anos quando a mãe e as duas irmãs foram assassinadas no «Sacrifício a Satanás de Kinnakee, no Kansas». Enquanto a família jazia agonizante, Libby fugiu da pequena casa da quinta onde viviam e mergulhou na neve gelada de janeiro. Perdeu alguns dedos das mãos e dos pés, mas sobreviveu e ficou célebre por testemunhar contra Ben, o irmão de quinze anos, que acusou de ser o assassino. Passados vinte cinco anos, Ben encontra-se na prisão e Libby vive com o pouco dinheiro de um fundo criado por pessoas caridosas que há muito se esqueceram dela. O Kill Club é uma macabra sociedade secreta obcecada por crimes extraordinários. Quando localizam Libby e lhe tentam sacar os pormenores do crime (provas que esperam vir a libertar Ben), Libby engendra um plano para lucrar com a sua história trágica. Por uma determinada maquia, estabelecerá contacto com os intervenientes daquela noite e contará as suas descobertas ao clube... e talvez venha a admitir que afinal o seu testemunho não era assim tão sólido. À medida que a busca de Libby a leva de clubes de striptease manhosos no Missouri a vilas turísticas de Oklahoma agora abandonadas, a narrativa vai voltando atrás, à noite de 2 de janeiro de 1985. Os acontecimentos desse dia são recontados através da família de Libby, incluindo Ben, um miúdo solitário cuja raiva contra o pai indolente e pela quinta a cair aos pedaços o leva a uma amizade inquietante com a rapariga acabada de chegar à vila. Peça a peça, a verdade inimaginável começa a vir ao de cima, e Libby dá por si no ponto onde começara: a fugir de um assassino.

A família Day, composta pela mãe Patty, e os filhos Ben, Michelle, Debby e Libby, com um pai, Runner, sempre ausente, vinha passando por dificuldades financeiras cada vez piores. A propriedade da família estava ameaçada de falência, comida escassa e mantimentos sempre de segunda mão, além dos problemas de convívio entre os membros.
(...) aquela sensação de que, se desejasse uma coisa com muita força, ela tinha obrigação de acontecer. Tinha obrigação.
Em 2 de Janeiro de 1985, os Day foram quase extintos em, ao que indicava, um ritual satânico feito pelo filho mais velho, Ben. Ele havia entrado em discussões com a mãe naquele dia, sempre agindo reservado e andando com pessoas estranhas, portanto motivos para acusá-lo não faltavam.
Fora Libby, a mais nova e única sobrevivente da tragédia, quem acusara-o. Ela acredita que vira Ben matar toda sua família naquela noite. Mesmo hoje, vinte e quatro anos depois, ainda acredita nisso e convive com essas marcas.
Ele encolheu os ombros.
— Claro. Uma pessoa tem de acreditar em alguma coisa, certo? Toda a gente acredita em alguma coisa.
Eu não, pensei.
Libby tenta viver uma vida o mais perto possível de normal, vivendo de doações e nunca remexendo nas lembranças daquela época - guardando-as nos lugares escuros de sua mente. Até que lhe aparece Lyle, o membro de um grupo fanático por crimes reais. Ele, em conjunto com várias simpatizantes de Ben, está fascinado por essa história e acredita que Ben não esteve por trás de tudo.
Rotulei as recordações como se fossem uma região particularmente perigosa: Lugar Escuro.
O grupo oferece a Libby algum dinheiro para aparecer em uma das reuniões e ela aceita por necessidade. Mas, com isso, ela vê sendo trazido à  tona novamente o que aconteceu naquela noite, passando a questionar a si mesma se, de fato, teria visto o irmão assassinando sua família.
Até a metade do livro, Lugares Escuros é bem lento, mas a grande curiosidade prendeu e eu estava cada vez mais interessada na estória. A narrativa segue entre o presente, pelo ponto de vista de Libby, e flashbacks de 1985 divididos entre Patty e Ben. Em algumas obras flashbacks assim, misturados com o tempo real, ficam confusos mas a autora soube manejá-los bem, de forma que um completasse o outro e trouxesse explicações sobre o que Libby descobria agora.
Partia do princípio de que tudo de mau no mundo podia acontecer, porque tudo o que havia de mau no mundo já tinha acontecido.
Os personagens de destaque são basicamente estes, e posso dizer que não senti proximidade nem torci por algum. Fiquei com bastante pena de Patty, é verdade, mas tenho outros pensamentos sobre ela, também. Libby é o tipo de personagem toda "errada" que Gillian gosta de escrever, e Ben me irritou demais nos seus flashbacks. Que adolescente chato, viu. Fiquei contente de, ao final do livro, o próprio reconhecer isso.
Era surpreendente a maneira como uma pessoa podia passar horas a meio da noite a fingir que estava tudo bem e, em trinta segundos de luz diurna, tomar consciência de que isso pura e simplesmente não era verdade.
É bem legal a quantidade de hipóteses que vão surgindo ao desenvolver do livro. Mesmo comigo já sabendo de tudo por causa do filme assistido antes, gostei de acompanhar porque a adaptação não foi boa e eu precisava que tudo fosse revelado de forma convincente. Fiquei feliz que Lugares Escuros, o livro, cumpriu esse desejo. As reviravoltas são boas, muito legal como tudo acabava fazendo sentido e, uma ação aqui, implicava em coisas grandes no futuro.
— Um grande mistério: quem matou os Day? — proclamei alegremente.
O estilo da autora já é familiar para mim (este é o terceiro livro que leio dela), e seguiu me prendendo à medida que as grandes verdades do desfecho se aproximavam. Como de costume, ela mantém as descrições quase minuciosas e muito material para chocar o leitor - aqui, explorando os tais rituais satânicos.
Mas eu era assim: tinha conversas ferozes e defensivas dentro da minha cabeça, irritava-me com coisas que ainda nem sequer tinham acontecido. Ainda.
Lugares Escuros trouxe um bom desfecho, preencheu as lacunas que eu tinha por causa do filme. Tenho de admitir que, mais uma vez, a autora teceu uma estória brilhante. Só achei que no fim aconteceram algumas coisas muito repentinas, muito "magicamente" com 'vamos acabar logo com isso, então'. Fica essa sensação sempre que um livro começa demasiado lento e, depois das tantas reviravoltas, acaba rápido. Para mim, é um ponto um pouco negativo.

🍰 Esse trecho é uma pequena comparação do livro com o filme, e pode conter spoilers.
Acabou que o livro é infinitamente melhor que o filme. A adaptação pegou os pontos principais da obra original mas, por pedir uma versão resumida, acabou jogando tudo de qualquer forma e isso resultou na sensação de pouco convencimento deixada em mim. A literária esclareceu e desenvolveu melhor cada ponto como, por exemplo, porquê Diondra resolveu matar Michelle naquela noite. Recomendo mil vezes mais o livro que o filme. 🍰

Avaliação:
★ ★ ★ ★ ☆

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