Filme Precisamos Falar Sobre O Kevin

Olá! (*≧Ω≦*) Conferi hoje a adaptação do livro Precisamos Falar Sobre O Kevin, de Lionel Shriver e vim contar o que achei, comparando à obra original.

Informações:
Nome:                      Precisamos Falar Sobre O Kevin/ We Need To Talk About Kevin 
Lançamento:           27 de Janeiro de 2012
Direção:                   Lynne Ramsay 
Gênero:                    Drama, Thriller 
Duração:                  112 min.
Classificação:          16 anos
Elenco:                     Tilda Swinton, Ezra Miller, Jasper Newell, Alex Manette

Sinopse: Eva (Tilda Swinton) mora sozinha e teve sua casa e carro pintados de vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida. O motivo disso vem de seu passado, quando vivia com seu marido Franklin (John C. Reilly) e seus dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Celia (Ashley Gerasimovich). Seu relacionamento com o primogênito, Kevin, sempre foi complicado, mas Eva jamais imaginaria o que ele seria capaz de fazer.


Assim como no livro, de início não sabemos o que aconteceu com a vida de Eva Katchadourian, que hoje vive como uma pessoa sempre hostilizada no meio social. Aos poucos, sabemos que ela teve uma família aparentemente comum, exceto pelo fato de seu primogênito - Kevin - ter tido sempre um gênio forte (eufemismo, talvez).
E é esse gênio, essa personalidade peculiar e cruel, que o levou a onde está hoje: preso. Seguem então flashbacks, lembranças de Eva, que vão mostrando aos poucos a vida de Kevin até chegar no tempo atual. 
Eu tinha algumas expectativas sobre esse filme, porque gostei muito do livro (1 de 2 livros cinco estrelas lidos até agora nesse ano) mas, claro, esperar que a adaptação seja sempre tão boa quanto o livro é pedir decepção. Mesmo assim, fiquei um pouco triste pelo filme Precisamos Falar Sobre O Kevin ser tão inferiorzinho. 
O que mais me impressionou no livro foi a profundidade psicológica dos personagens, do relacionamento de Eva com seu filho, todos as reflexões dentro dos pensamentos da personagem e tudo mais. Isso não existe no filme, já que há a ausência total de cartas, inclusive de pensamentos de Eva. Também não houveram os diálogos marcantes dos dois, no presente.
Muita coisa, como era de se esperar, ficou de fora, coisas que tinham muita importância. Sem elas, a estória no filme parece apenas comum, algo sobre um garoto problemático que abriu fogo na escola, e sua mãe recebeu bastante da culpa. Nada de impressionante e inovador, ainda que desperta sentimentos no telespectador. 
Penso que daria para fazer algo mais para a adaptação, mesmo que não desse para preservar 100% a essência do livro. A atuação dos personagens foi boa, mas acho que Ezra Miller, que interpretou Kevin, serviu mais psicopata drogado em abstinência (inquietude forçada) que um jovem "entediado e misterioso, talvez inteligente até demais" como Kevin seria realmente, segundo o livro. 
Ele conseguiu sim realizar um bom trabalho como um garoto cruel, mas não imagino o Kevin assim, todo tremelicoso e raivoso toda hora, e sim como uma pessoa que se acha boa demais para qualquer coisa, alguém que não quer perder tempo com ninguém mais. O livro o descreve muito como alguém entediado com tudo, inclusive a própria vida. Já Eva não ganhou muito destaque para sua personalidade e toda sua estória - esta que me fez sentir pena dela, mas também culpá-la um pouco, admito -, então tudo que ela passou ganhou outro tom no filme, deixou-a integralmente como mais uma vítima do Kevin, quando não é bem assim, na minha opinião.
Um outro ponto que me decepcionou no filme foi o grande final, quando é revelado o que Kevin fez. Na obra literária isso havia me impressionado demais por tanta astúcia, premeditamento e brilhantismo, mas foram totalmente cortados os meios e todo o plano arquitetado por ele. 
Bom, acho que o filme tentou, mas não pode competir com o livro. Quem leu o livro acho que fica com a impressão de a adaptação apenas apresenta os fatos e principais pontos do primeiro, sem aprofundar em nada. Isso decepciona porque é justamente esse aprofundamento, que mostra os vários lados da mesma estória, que torna-a especial. 
Sem contar que, para quem não leu o livro, o filme não deixa em aberto as reflexões certas sobre porquê Kevin fez tudo aquilo, quando a obra de Lionel Shriver o faz.

Avaliação:
★ ★ ☆ ☆ ☆
Assista aqui (legendado em inglês).