Um Crime Americano

Olá, leitores! ( ≡ 3≡ ) Hoje venho com a resenha de um filme que conheci há pouco tempo, e me impactou demais.

Informações:
Nome:                          Um Crime Americano/ An American Crime
Lançamento:               19 de Janeiro de 2007
Direção:                       Tommy O'Haver
Gênero:                        Drama, Policial 
Duração:                      97 min.
Classificação:              16 anos
Elenco:                         Ellen Page, Catherine Keener, Hayley McFarland
Sinopse: Baseado na história real que chocou a nação em 1965, o filme reconstrói um dos crimes mais chocantes já cometidos a uma só vítima. Sylvia (Ellen Page) e Jennie Fae Likens (Hayley McFarland), as duas filhas de um casal que trabalha com um circo são deixadas para uma estadia demorada em Indianápolis, na casa Gertrude Baniszewski, uma mãe solteira com sete crianças. Tempos difíceis, e as necessidades financeiras de Gerturdes (Catherine Keener), obrigam-na a fazer este arranjo antes de perceber como esta obrigação levará sua natureza instável a um ponto de ruptura.

As irmãs Sylvia e Jennie Likens eram duas garotinhas normais, a primeira mais velha. Os pais das suas eram donos de circo e, por isso, precisavam se deslocar bastante. Muitas vezes, não podiam levar as meninas com eles em suas viagens, portanto encontravam lugares com quem deixá-las, como um parente.
Em uma destas viagens, eles deixam-na na casa de Gertrude Baniszewski, uma senhora mãe solteira, com alguma enfermidade, problemas financeiros e pessoais, que cobra vinte dólares por semana para cuidar de crianças. Sua casa está sempre agitada, ela tem seis filhos, e as crianças do bairro costumam ir muito brincar lá.
Sylvia e Jennie imediatamente fazem amizade com os filhos de Gertrude, principalmente Paula, a mais velha. Mas esta estadia naquela casa, que prometia ser temporária e comum até que os pais das irmãs voltassem, se torna um pesadelo quando Gertrude começa a castigar as meninas sem motivo aparente.
O filme Um Crime Americano é baseado na história que chocou o mundo inteiro em 1965, onde, em Indiana, as irmãs Sylvia e Jennie Likens, em especial Sylvia, foram vítimas de abusos hediondos por parte de Gertrude Baniszewski e seus filhos.
Apesar de ser bem grandinho, não senti que nenhuma parte foi lenta ou desnecessária. Os acontecimentos são tão chocantes que fiquei com os olhos grudados, instigada e torcendo para que houvesse um final feliz. A estória transita entre o passado e o presente, então dá para se ter, durante todo o filme, uma ideia de como acabará.
Este filme, com cenas fortes e revoltantes, mostra uma parte bem mais leve e resumida do que realmente aconteceu dentro daquela casa, baseado nos relatórios. O crime é horrível, algo que nós, em nossa sanidade, nos perguntamos como uma pessoa pode fazer tudo aquilo, nos leva a tentar decifrar aquela mente perversa.
É agoniante assistir aos maus tratos que Sylvia sofreu, tanto física quanto psicologicamente, sob a justificativa de "corrigir" ou "ensinar uma lição". E saber que tudo aquilo aconteceu realmente - e de forma pior - é ainda mais desconcertante.
Me senti desconfortável com cada cena, pois o trabalho dos atores, principalmente Ellen Page, que interpretou Sylvia, está muito bem feito, passando realmente cada emoção, cada dor. Outro ponto digno de nota é a forma cuidadosa com que os atores foram escolhidos, sendo bem semelhantes fisicamente aos protagonistas originais desta triste história.
Um Crime Americano é um filme forte, pesado, revoltante, que mostra como a mente humana pode ser cruel sem um motivo, para nós, mas enganar a si mesma para justificar seus atos; o que a manipulação pode fazer com uma pessoa, principalmente crianças. Esta história é um grande exemplo de como os pais influenciam muito na construção do caráter das crianças, a concepção de "bem e mal", "certo e errado". Além disso, mostrou também como o medo pode silenciar alguém, tornando-o um cúmplice, ou um covarde, um egoísta, aos olhos da sociedade.
Há muitos personagens de destaque, muitos que não consegui compreender, não consegui engolir porquê fizeram tudo que fizeram. Vi muitos comentários de pessoas que julgavam Jenny, a irmã mais nova de Sylvia, por suas atitudes, mas admito que eu a entendo de certa forma. Há pessoas que conseguem, simplesmente, manipular outra para que ela faça coisas que nunca poderia fazer, contra sua vontade.
Paula, a filha mais velha de Gertrude, também tem bastante participação e mostrou o lado da inveja, o que alguém pode fazer por considerar outra pessoa uma "ameaça" ou "concorrente", além da raiva por ouvir dolorosas verdades.
O final do filme é igual à história original, que você pode conferir inteira aqui, porém abordada de uma forma mais metafórica. Fiquei muito triste com o que aconteceu, e revoltada por causa de duas coisas que aconteceram, em particular. Mas o desfecho deixa uma reflexão interessante: Por que acontece tanta maldade com pessoas que não a mereceram? De onde vem essa maldade gratuita?
Depois que terminei o filme, pesquisando sobre o caso, cheguei à conclusão de que todo este comportamento foi apenas uma forma cruel da mente perturbada de Gertrude de descontar suas frustrações financeiras, amorosas. Mesmo assim, definitivamente não justifica.
É um filme não recomendado para qualquer um, precisa-se ter estômago. É uma história real e revoltante, mas que eu recomendaria a todos que assistam, pois traz reflexões muito importantes, coisas que valem a pena pensar.

Avaliação:
★ ★ ★ ★ ★
Assista aqui (dublado)

Há outro filme, A Garota da Casa ao Lado, também inspirado na história das irmãs Likens, porém com outras protagonistas. Segundo comentários que li, este filme conseguiu ser ainda mais forte que Um Crime Americano.

Sinopse: Estados Unidos, anos 50. Meg e Susan são duas irmãs que perdem os pais em um acidente e, por ordem judicial, passam a morar na casa de uma tia liberal chamada Ruth. Mas Ruth também é uma mulher perturbada, que defende radicalmente seus três filhos homens, e passa a infernizar a vida das garotas - em especial Meg, que passa a ser alvo de torturas físicas e psicológicas. A única esperança das garotas é David, um garoto vizinho da família e testemunha das atrocidades que passam a ser praticadas contra Meg e Susan no porão da casa de Ruth. Baseado em uma trágica história real. Fonte.

#Filmes

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